segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Rotina da Calçada

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Esse lugar é calmo demais porque as pessoas passam apressadas
Sobra a um apreciador preguiçoso
A percepção da brisa parada
das árvores paradas
das folhas paradas no chão

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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Juliana - Recomeçando em España.

Tiago - postesemparalelo.blogspot.com diz:
pois a vida é um eterno recomeço
viva essa vida como fosse se repetir eternamente
pois vc vai reptir o almoço na janta
e vai comer tudo de novo no café no almoço e na janta
e vai jantar sem saber se tá cordando e quando olhar o relógio já é hora de dormir e vc não queria

sábado, 15 de novembro de 2008

Olha a lua

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Estirando o dedo, ela diz:
"Olha a lua!"
Uma observação até que pertinente
Quando ela faz vai ficando contente, no céu.

O que ela quis dizer?
O que ela quer dizer
toda vez que diz
"Olha a lua"?

E os meus olhos (vão) seguindo seu dedo
para a origem e também para o fim
Então meu foco foge cedo e ledo
rapidamente se reparte em dois:
um celeste, aqui na Terra,
e outro luar.

As estrelas se movem todas juntas
como estivessem num trem
as que ficam pra trás, Joana,
não são de ninguém.
Mas não tem pressa não
pois tem a noite inteira
E na verdade é tudo brincadeira
de anzol.

Amanheceu.
Ele cobriu o seu lençol
mas Joana se esqueceu
de dizer "olha o Sol"

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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Vagabundo Iluminado

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Eu quero deslisar
no seu corpo quilométrico
Contornar gigantescas saliências
por cima e pelos lados
E acariciá-la com meus pés
em passos largos
mãos abertas e espalmadas
projetando todo o peso do meu corpo

Lavar meu cabelo
(e minha pele)
na queda da sua saliva
Mergulhar na tua língua
que lambe e dissolve
pedras inteiras de sal
Essa tua língua que alcança
todas as línguas dos homens

Saído de tal banho maravilhoso
ser limpado pelas mãos das tuas filhas
E me enxugar na tua respiração
Depois atiçar fogo nas tuas pernas
e fazer com tuas meninas
o que Policarpo fez com tê
Mas me liberta
me liberta dos desejos

Eu quero subir no pico do teu peito
e apreciar o brilho de tua pele sob o Sol
no início da manhã
e no final da tarde
Ouvir os insetos te cantarem
ao meio dia
E seguir as marcas da tua pele
bolinhas de cocô de veado

Todos os pássaros cantam sobre ti
enquanto te ouço em silêncio
flutuando no infinito,
tu de cabeça pra baixo
Mulher imensa e redonda
de blusa azul
e olhos verdes
e saia branca

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Silvio por Erasmo

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Tudo o que você quer é ser um louco
E não consegue
Tenta por força da fricção de palavras de alguéns
Erguer sua túnica
É como uma ereção que não vem
A receita pra tu é essa:
Relaxe
Relaxe

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sábado, 18 de outubro de 2008

Construções Paralelas (foto de Bernardo Dantas)



Do fotógrafo pernambucano Bernardo Dantas, que gentilmente me cedeu este seu trabalho.
O nome Construções Paralelas, foi eu quem colocou por causa da temática do blog.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Seu Colega

(SM4)

Pois tá aí... foi ano passado eu conhecia muito pouco Seu Colega (Gustavo), quer dizer ele ainda era meu colega, mas era amigo do Jera. De modo que ocorreu essa idéia de presenteá-lo com uma canção - isso tb era uma conseqüência da época da Festa da Vasilha e estávamos no tesão de compor músicas depois da composição do Meio Samba do Dia Três (que ainda não foi gravad).

Nos juntamos no apê recém alugado do Jera e começamos a compor... eu tentando a letra e o Jera a música... daí fomos dormir lá em casa... sei q estávamos muito cansados e resolvemos comer, fazer tudo, antes de gravar pra não perder a concentração depois .. a gente acabou pegando no sono e, na manhã seguinte, gravando às pressas e saindo atrassados. O Jera disse tá muito mal gravado e não vamo levar isso desse jeito.. na hora da festa na casa de Iauka tivemos q cantar na hora, à capela.
Aliás tinha um jogo de palavras na porta da geladeira do apartamento do cara... era massa.. dava pra fomar várias frase somente na porta da geladeira e ainda dispô-las geometricamente



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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Qu'est que c'est l'amour?

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Qu'est que c'est l'amour?
L'amour c'est la vie
La passion c'est le jour

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terça-feira, 7 de outubro de 2008

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Uba-Uba

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Esse é o dia mais propício para se postar uma coisa dessas. Porque foi numa sexta-feira que compomos essa música: Helga, Arthur, Sid Clapis e eu. Estávamos no nosso último bar da noite, em algum lugar atrás do colégio damas. O "hey" era um grito alto e estridente que a Helga dava de vez em quanto com o objetivo único de perturbar - principalmente perturbar o Sid. Nessa mesma noite ela gastou seu francês lendo o peter pan ... "a petit garçon" ... ou algo assim. Depois dela ter perturbado tando ainda foi chacoteada com a alcunha de "esnobe" - aí ela pegou ar. Aliás, o carro de Arhtu quase que não pega por causa da bateria... não sei que jeito deu... mas funcionou.
A propósito estávamos todos bêbado a altura em que essa música foi composta. Escrita em um guardanapo. E cantada (gritada) em coro no bar.
Na manhã seguinte, acordei e gravei em 10min pra não perder a carona não sei pra onde. A percussão é um cadeira antiga que tinha lá no meu quarto.

Uba-Uba:



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Nível de Mulheres

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E aí? Como vc está cara?
Rapaz, não muito bem.
Mas por quê?
Rapaz, acho que o nível de mulheres na minha vida está diminuindo de menos cinco para menos trinta e um, menos trinta e dois, sei lá. Vamos tomar uma cerveja?

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quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Não existe ideal

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Os anjos são todos de mármore.

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Tiago Buarque

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Paralelo Circular

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Paralelo Circular - Igreja de Santa Isabel, bairro de Sana Isabel, São Paulo - SP (foto de João Paulo Cabeça)





Não sei bem o que ele quis dizer, mas confio nas suas palavras:
"foto para o blog.... nao tem nada em paralelo geometricamente falando mas eh algo como um paralelo circular..." (João Paulo Cabeça)

Paralelo Circular - Igreja de Santa Isabel, bairro de Sana Isabel, São Paulo - SP (foto de João Paulo Cabeça)

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

HOJE: O FIM DO MUNDO

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Como já anunciado em O Fim do Mundo e a Morena, chegou o dia. É hoje que o mundo pode acabar: 'Máquina do Fim do Mundo' entra em funcionamento. Relembrando que o mundo pode acabar a qualquer momento, ou não.
Então boa sorte para todos.

P.S.: e espero encontrar o velho amigo Sid, hoje, que supostamente está em Recife depois de exatamente um ano - conforme indica o registro de fotografias do meu celular

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sábado, 6 de setembro de 2008

You Can't Forget - MP3

(SM2)

Finalmente gravada! Graças ao amigo Jera. Muito obrigado Jeroso!
Passamos a tarde hoje fazendo essas gravações. Sem qualquer plano ou idéia na cabeça. Foi experimental e cansativo. Mas estou satisfeito mesmo assim. Confesso que não esperava que fosse assim mas ficou legal. E também eu não saberia fazer nada, mas uma vez obrigado Jera!

A história dessa música já contei no blog. Fiz no ônibus, voltando do curso de Inglês. Cheguei em casa e postei a letra. Meu primo passou 5 min, pediu pra eu dizer como eu estava pensando como seria a musica e ele pois a cifra, Fellipy Bruss. Isso foi 6 de agosto. E hoje o Jera fez as pituras com samples e efeitos.

Abaixo a versão Jerada:



E a versão voz e violão:



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sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Frevo D'ela

(SM1)

Apesar de toda bebiba, eu lembro que era carnaval e que fiz esse frevo. Lembro de todas a história e que o nome de cada uma dessas garotas fazia alusão a mim ao Jera e ao Sid - ou ao contrátio. E que também me baseei em Madeira do Rosarinho pra fazer a cifra - uma vez que não sei quase nada sobre música.

Massa mesmo foi o frevo que o Jera fez no mesmo carnaval "Bom dia Sol/ que nasce às margens do meu Capibaribe/ Queria te cantar essa canção/ que fiz pra ela,/ pensando nela/ Sobre o perfume das flores/ ...." - comessava assim ou parecido. Infelizmente o Jera deixou a belíssima letra pra lá e aproveitou a melodia igualmente linda para concluir um trabalhao conceitual até legal, mas ele sabe que eu discordo dessa atitude até hoje e vou continuar discordando.

Ainda não mencionei propriamente mas era "Carnaval do Recife 2007 - 100 anos do Frevo". Eu havia comprado um home theater por R$100,00 no natal e havia montando minha home frevo orquestra. Passei meses ouvindo frevo de todos os tempos e de todos os tipos antes do carnaval. Até hoje estou extasiado pelo frevo. Mas naquele ano estava eufórico e o carnaval foi o melhor até agora.

Sobre as condições de gravação: isso foi gravado de uma vez, ao vivo, voz e violão - pq nem sabia de programas q gravavam multiplas faixas. Fiz essa gravação pra mostrar pro Jera, pois na hora estava conversando com ele no msn.



O arquivo que continha a cifra abaixo, registra 11/02/2007 - o que seria domingo de carnaval.

Frevo D'ela.

[Frevo Canção em Mi menor.]

(Am Em) 2x B7 E7

Nem Luciana, (Am)
nem Lara, nem Daniela (Em)
não há nome (B7)
é sempre "ela". (Em)

Nenuma é igual (Am)
e cada uma é mais bela (Em)
que todas as outras. (B7)
O meu amor é ela! (Em)

(Am Em) 2x B7 Em

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Série Música - Nota de Abertura

(SM0)

Os leitores deste blog podem estar prestes a sofrer problemas neuro-auditivos graves. Declaro aberto a Séria Música. Onde serão postados durante uma ou duas semanas músicas de minha autoria, gravadas por mim mesmo. E que Deus nos ajude!

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quinta-feira, 4 de setembro de 2008

RECITATA

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Então. Faz tempo que não escrevo. Estive doente.
A primeira coisa a falar é sobre a RECITATA que aconteceu há exatamente uma semana. Foi o primeiro dos três dias de classificatórias e a final foi domingo.
Infelizmente não fui classificado para a final. Mas agradeço a presença de minha famlía e meus amigos: Mamãe e Rodrigo, Carol, Delinha, Filipe, Fernando e Lívia, Saulo Souto, Julio e Figueredo, e por último, mas não menos importante o Jera. (e se eu me esqueci de alguém, desculpa)

Agradecimentos especiais ao Fernando que fez o video:



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quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Existências de Deus

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Hoje à noite, 20h, saindo da aula, voltando pra casa. Duas garotas lindas me abordam no caminho para a parada de ônibus. E eu quero que meus dedos necrosem se a primeira pergunta que elas me fizeram não foi: “Você quer receber nossa visita na sua casa?”.

É o tipo da coisa que quando você conta pensa:
“Poxa, Deus existe, que bom!”

Mas quando elas falam antes da pergunta: “Nós somos missionária da Igreja...”
Você pensa:
“Tá bom, Deus existe, e daí?”

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terça-feira, 26 de agosto de 2008

Longa jornada

Sempre que for caminha com alguém por um longo trajeto, certifique-se que vocês andam mais ou menos no mesmo passo. Assim nenhum nem um ficará frustrado por estar andando devagar demais, e sentindo a demorar para alcançar seu objetivo, nem o outro sofrerá for estar forçando seu ritmo.
Mas acima de tudo certifique-se de que você querem ir para o mesmo lugar.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Todo mundo precisa de abrigo

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Pela janela da sala de aula
vejo a chuva atravessar as plantas.
Aqui no segundo andar
as copas das árvores são minhas irmãs
o ar-condicionado
faz tanto frio
e diz que estou só
Onde as aves pousam
num dia de chuva?

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quinta-feira, 21 de agosto de 2008

EU em Recitata

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dia 28 de agosto de 2008 - 19h

na Rua da Moeda, Bairro do Recife - Recife, PE

Não cheguem atrasados, sou logo o terceiro a se apresentar

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Palavras-de-amor

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1.
lembro-você-cócegas
instante-olhos-beijou

3.
dia-esperando-frio
molhado-roupa-calor

4.
beijando-chuva-abraçados
prazer-inunda-lados

6.
manhã-carinho-acorda
sonho-futuro-você

9.
poucas-palavras-precisas
ato-conciso
história-de-amor

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quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Ordem

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Mecher é com xis
e xuxu com cê-hagá.
Quem ia saber disso?

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segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Convite para uma ciranda poética em torno de uma gravura de Samico

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"Durante uma palestra sobre alguns artistas visuais que usaram as gravuras de Gilvan Samico como mote para seus trabalhos, me dei conta de que nunca uma xilo sua tinha sido aproveitada num cordel. Resolvi inverter a questão propondo um cordel que ilustrasse uma de suas obras. Escolhi a xilogravura O Diálogo e fiz, para abrir a corrente, três estrofes.

A idéia é que participem poetas populares ou de formação erudita, dando uma interpretação à imagem. Pode ser uma história, pode ser um comentário. Pode ser elogioso, crítico ou neutro. Pode fazer referência aos versos anteriores e lhes dar seqüência, ou não. Pode repetir o refrão ou mudá-lo. Pode escolher a forma, contanto que seja uma das normalmente usadas nos folhetos: quadra, sextilha, septilha, oitava, quadrão, décima, galope à beira-mar, martelo, redondilha ou carretilha.

Convido, pois, os poetas de Pernambuco, do Nordeste e do Brasil a participarem desta ciranda poética, ao ritmo da música nas imagens de Samico."

(Retirado de INTERPOÉTICA)

TIAGO BUARQUE [10/08/2008]

Quando os sexos opostos
Puderem dialogar
Dispostos a se entender
Querendo se ajudar
O mundo melhorará
Mais do que o planejado
Um rio de paz derramado
Na humanidade inteira
Que na gravura em madeira
Esse Samico é um danado.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Sexta-feira

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Aproveito para lhe questionar sobre sua rotina. Uma vez que a sexta-feira é o dia principal da rotina de uma pessoa. A segunda-feira com certeza é o dia principal da rotina do trabalho de alguém. E, ao menos que a pessoa já tenha se transformado no seu trabalho, a sexta é o dia do livre-arbítrio. Onde o trabalho e as demais obrigações resumem sua importância permitindo a manifestação das outras vontades. Vontades estas que não tem qualquer outro objetivo senão a satisfação pessoal. O trabalho do fim da sexta e do final de semana é o trabalho mais puro, cujos únicos frutos - bons ou maus - são elementos que constituem sua vida pessoal. Afinal vida profissional além de sem graça geralmente não diz muita coisa sobre quem você é. Mas na vida pessoal tudo o que você faz é completamente seu.

E aí, vai fazer o que hoje?

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quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Fio de Óleo

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Quanto tem um fio de óleo?
Porque é só um fio que tem
a matéria prima bruta
da inspiração de alguém

Mas o fio é só pra saber
que existe algo mais:
a panela e milho
da pipoca que se faz

O filme alugado
um sofá apertadinho,
num dia chuvoso e frio

quem teria imaginado
que era só puxar o fio
pra te encontrar no caminho

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quarta-feira, 6 de agosto de 2008

YOU CAN'T FORGET (song)

(por Tiago Buarque e Fellipy Bruss)

Não passou um minuto depois que eu poste a poesia You Can't Forget para meu primo, músico, se oferecer para transformar a letra em música. Eu disse a ele que compus cantando. Disse como imaginava que devia ser. Eis a cifra:

_C_______G/B
Storms and insights
____Am_______Am/G
and ideas that can bright
F7__G____C___Am
you can't forget
F7__G____Am__Am7
you can't forget

_C____G/B
So write them
____Am___Am/G
on a piece of paper
F7__G____C___Am
you can't forget
F7__G____Am__Am7
you can't forget

_C______G/B
But don't show
Am__Am/G
to anyone

F7_________G
because your ideas
________C___Am
like the thruth
F7____G_____C___Am
don't belong to you
F7____G____Am___Am7
don't belong to you

F7__G____C___Am
you can't forget
F7__G____Am__Am7
you can't forget

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CDU / TORRÕES (Via San Martin)

e CDU / SAN MARTIN (Via Torrões)

Se um dia eu comprar um carro sentirei uma sensação parecida com a que estou sentindo agora. Essas novas linhas de ônibus me levam da universidade pra casa e me trazem de volta. E param perto do meu ponto de chegada e de partida.
Finalmente senti um benefício de decisões tomadas por pessoas que não me conhecem.
Essas linhas aparentam-me um sinal de que a sociedade brasileira - melhor ainda, em Recife - está se tornando mais séria e profissional.

Feliz. Estou muito feliz

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terça-feira, 5 de agosto de 2008

You Can't Forget

Storms and insights
and ideas that can bright
you can't forget

So write them
on a piece of paper
you can't forget

But don't show
to anyone

because your ideas
like the thruth
don't belong
to you

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Email ao Sid Clapis - 21 de julho de 2008

-

É dura, dura a caminhada.
Como ser um homem de verdade? Pela perseverança num trabalho no qual não tem fé? Ou pela honra de não curvar-se sob aquilo que não acredita?
Espero, caro amigo, que em terras distantes, tenha encontrado resposta que não está em lugar nenhum

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sábado, 2 de agosto de 2008

Pegador de Ônibus

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Você sai de casa todo dia e espera uma inifidade para pegar o mesmo ônibus. Daí num dia qualquer, numa hora outra, o seu ônibus demorador passa. Você ia só ali na esquina, mas o ônibus pára do seu lado. Não dá vontade de pegar o ônibus, só de raiva, de tando que você espera quando tem que pegar?

Outra situação. Você está numa festa. Uma garota pára do seu lado e fica dando mole. Fazer o quê?

Agora, se você pega o ônubus, não tem cabimento.

-------
Nota para as gerações futuras.
Pegador: indivíduo que pega (seduz) muitas garotas

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sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Frase 4

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Enquanto houver vida há esperança, braza, calor, fogo, talvez

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Almoço no Terminal

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Fui almoçar hoje em um dos lugares da minha preferência. Na verdade é o lugar onde eu quase sempre prefiro almoçar quando estou fora de casa. Restrigindo mais, quando estou na universidade, afinal é aqui perto.

É importante comentar o lugar. Ele é conhecido entre meus colegas como "O Irmão", isso porque o homem que atendia era evangélico, mas ele sumiu de lá faz alguns meses e não tive mais notícias. O importante foi que ficou a irmã que faz o feijão. É o melhor feijão que já comi por aí, se bem que hoje não tava a mesma coisa - tem isso às vezes.
No mais é também curioso o estalecimento físico onde funciona O Irmão. Fica na calçada, colado ao muro da universidade, ao lado do terminal de ônibus da linha "Dois Irmãos(Rui Barbosa)"- coincidência?
O Irmão é rodeado de grades formando dois ambiente para as mesas onde se almoça. Ambientes estes separados pelo quiosque onde fica a cozinha e o balcão de atendimento. Por ser situado na calçada tem a responsabilidade social de não atrapalhar a vida dos pedestres, e não atrapalha deixando o espaço ideal para os transeuntes e passageiros do Dois Irmãos(Rui Barbosa) que esperam seu ônibus.

Dada essa larga introdução quero comentar as coisas que pesquei da conversa dos cobradores e motoristas que estavam almoçado lá. Eles não se tratam como uma pessoa só, mas como o par. Por exemplo:

- Vou ver se trabalho amanhã pra folgar domingo.
- E vocês vão fazer o que domingo?
- ...

Ou seja, cada cobrador é diretamente associado ao seu motorista e vice-versa.

- ...
- Eu sou evangélico.
- E Márcio é evangélico também?
- Não, ele né não, ele é carismático.

Veja só, o outro nem está na conversa, sequer perto, mas é referenciado o tempo todo. Vi vários exemplos e fiquei admirado com a indissociabilidade dessas pessoas.

No mais a comida estava boa, vieram quatro pedaços grandes de galinha guisada, todos maciços - maciço neste contexo significa sem ossos.
Confesso que dava para duas pessoas almoçarem esse prato que custou R$ 4,00.
E espero levar meu pai lá um dia para provar do feijão, como fiz com tantos amigos

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Ando de Bicicleta

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às vezes eu me sinto como uma bicicleta no meio de uma avenida movimentada com múltiplas faixas. carros ultrapassam-se pela esquerda e pela direita. e eu frágil no acostamento estreito.

Me sentiria mal se não soubesse que a maioria desses barbeiros vorazes só podem andar de velocípede nas ruas perto de casa. E engatinham da sala para o quarto

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quinta-feira, 31 de julho de 2008

Hora de Voltar (Garden State)

IMDb deste Filme

Minha Sinopse:
O cara vivia dopado porque o pai dele o culpava inconscientemente por ter deixado a mãe paralítica. O pai dele era psiquiatra e fazia isso como tratamento para o filho através de remédios. Um dia a mãe dele morre afogada na banheira da casa e ele volta para sua cidadezinha natal. Tem toda aquela coisa de encontrar as pessoas que não via há muito. Antes de voltar à sua cidade ele pára de tomar os remédios que tomava desde criança. Resolve consultar um Neurologista por causa das dores de cabeça. Na sala de espera conhece Natalie Portman - a personagem dela. No desenrolar da história ele sai algumas vezes com antigos amigos de colégio loucos. Se apaixona pela menina. Explora o ato de estar vivo. No final do filme ele deseja ao guardião do abismo infinito:
- Boa sorte explorando seu abismo infinito!
- Pra você também.

Elenco: Zach Braff, Natalie Portman, Ian Holm, Peter Sarsgaard, Ron Leibman.
Direção: Zach Braff
Gênero: Drama
Distribuidora: Buena Vista
Estréia: 11 de Março de 2005

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quarta-feira, 30 de julho de 2008

Sobre mim (1)

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Bonito, não obstante barrigudinho

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terça-feira, 29 de julho de 2008

Métrica [Objetivo e Método]

Estou aqui tentando me lembrar o que eu queria falar mais Objetivo e Método. A princípio lembro de um exemplo bem interessante: o músico.
Um bom músico geralmente tem um bom ouvido.
- E o que é um bom ouvido?
- Uma boa métrica.
Um bom músico é capaz não só de avaliar com precisão a música dos outros, mas também avaliar-se com agudeza.

Um bom escritor sabe reconhercer bons escritores e ler seu próprio texto e saber onde está ruim, isto antes de modificar e melhorar. Um bom atleta consegue reconhecer suas falhas. E reconhecendo as falhas é possível melhorar-se.

A métrica é um olhar apurado sobre as coisas. É uma reflexão para entender como se comportam os elementos envolvidos na sua ação. No caso do atleta o objetivo é entender o próprio corpo e o ambiente onde ele vai atuar. No caso do artista, o músico ou o escritor, a principal coisa que deve entender é a linguagem que usa e o ouvinte do outro lado.

Observando o ambiente onde você vai atuar e principalmente, observando você mesmo. Tentando enteder-se e entender os outros elementos e pessoas envolvidas. É possível criar uma métrica adequada para saber se o que você faz lhe leva pra onde você quer chegar no final

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Carona Recife

Acaba de ser criada uma comunidade no Orkut para coadunar caroneiros e caronistas indo e voltando para Recife: é a


O seguinte texto copiado da comunidade mostra como ela funciona:

Grupo criado pra facilitar quem quer arrumar uma carona ou alguém para rachar a gasosa da viagem indo e vindo de Recife. Todos os dias, e principalmente nos feriados, tá cheio de gente indo pros mesmos lugares e que poderiam estar dividindo despesas.

Como postar e usar a comunidade:

Quem estiver oferecendo carona (MOTORISTA)
Ex: Recife - Porto de Galinhas, 07/09 (MOTORISTA)

Quem estiver procurando carona (CARONEIRO)
Ex: Recife - Garanhuns, 07/09 (CARONEIRO)

Isso facilita na hora de buscar carona.
Boa viagem para todos

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terça-feira, 8 de julho de 2008

Rua Coronel Anízio Rodrigues Coelho

Rua Coronel Anízio Rodrigues Coelho
Rua Coronel
Anízio
Rodrigues
Coelho
coelho
Rua Coronel Rodrigues
Anízio
coelho
Rua do Rodrigues, Coronel
Coelho
rua do coelho
do coronel
Antônio
não, Rodrigues
O Coelho?

Péra!
Rua do Coronel Rodrigues Coelho.
Rua do Anízio, rua do coronel
Rua do Coronel Anízio
Chico Anízio?
não, Chico Coelho.
Velho Chico
tio Chico
chicotinho
rua do chicotinho
"Chicote queimado vale dez Cruzados, quem olhar pra trás leva chicotada."
As meninas cantavam na rua de Chico Anízio
Coronel Totonho sentado na calçada
era quem amedrontava a meninada.

domingo, 6 de julho de 2008

Objetivo e Método

Pra quem tinha perdido a esperança: "quem espera sempre alcança". Há ainda um luz no fim do túnel, Fernando. Quem dera fosse uma fogueirinha de São joão.
Não obstante toda doença, feriados e computadores quebrados o motivo pricipal de eu não ter postado antes foi a organização. Não a falta mas a presenaça dela. Fiquei pensando sobre definir um tema específico e como procederia o texto. Esse pudor todo trai a sistematica mais produtiva que eu conheço e que venho tentando ensinar o Sid na esperança que ele termine o TG.

Pois bem, vamos começar a falar sobre método e objetivo. Onde objetivo é algo que você quer alcançar e método é como vc vai fazer para conquistar seu objetivo.

Esse assunto está em todas as atividades da vida e é fácil provar isso. Primeiro vamos ver alguns exemplos. Suponha que você esteja com sede, seu objetivo é matar a sede e seu método pode ser tomar água ou suco ou refrigerante ou chá mate etc. E o exemplo que me levou a pensar pela primeira vez nesse assunto foi justamete a avaliação de alunos que cursam uma disciplina, constantemente pretende-se avaliá-los através de prova escrita e eventualmente com trabalhos como seminário e projetos.

É facil entender que a dinâmica método-objetivo está em tudo na vida: se você quer uma coisa que precisa ser feita (construida, transportada, realizada, pensada etc.), você tem um objetivo. Para alcançar um objetivo é preciso trabalhar para que ele aconteça e para tanto existem diversas maneiras. Cada uma dessas formas através da qual pretende-se concretizar um objetivo chamaremos de método.

O ponto mais importante nisso tudo é analisarmos a eficácia do método, ou seja, "esse método alcança realmente meu objetivo?" E afirmo o seguinte: para definir um método de boa performance faz-se necessário conhecer bem o objetivo - como diria o sábio Sócrates: "Conhece-te a ti mesmo".

Agora vou explicar o que eu disse. Voltemos ao exemplo da sede, quase todo mundo sabe que beber água do mar é um método ineficaz. E mesmo que você esteja morrendo num bote salva-vidas do seu barco que naufragou, tomar água salgada só vai lhe fazer mal. Esse exemplo é bem idiota e fácil de entender. Mas ele mostra que é preciso saber como seu corpo funciona e que a água para matar a sede precisa ter uma concentração máxima de sais. E mostra ainda que o objetivo - apesar de não ter pensando diretamente nisso - não é somente não sentir mais sede, mas é continuar vivo. Portanto é preciso pensar bem no objetivo a priori (matar a sede) e no objetivo real (matar a sede e continuar vivo).

Minha crítica aos métodos avaliativos: provas, vestibulares etc. Eu sei que é extremamente difícil medir o conhecimento de um aluno, mas não só é preciso medir como é preciso registar provas de que o aluno aprendeu determinada disciplina. Mas, se você define métodos errados para avaliação, acaba medindo outra coisa qualquer sem significância.

Outras questões: ser feliz. Como se elabora planos e ações para ser feliz se não se sabe como é que você vai ser quandor for feliz? Daí entra outro assunto de igual importância: a métrica. A métrica vai dizer se o objetivo foi alcançado. Conhecendo bem o objetivo consegue-se estabelecer uma métrica coerente para daí elaborar um método eficaz.
- Deixo aqui um comentário pertinente ao exemplo: se a felicidade não estiver bem próxima nunca vai ser alcançada.

Lembremos do que disse Sosó: "conhece-te a ti mesmo". Essa reflexão sobre o que está acontecendo no nosso dia-a-dia - e o quanto isso é coerente com nossos objetivos - nos assegura a consciência necessária para ser donos de nossas vidas: escolher os objetivos reais - e o método pertinente - ao invés de seguir com a corrente ou "dar murro em ponta de faca".

sábado, 5 de julho de 2008

Diferentemente

Diferente das outras:
a voluntariedade do teu sexo
desfaz o involuntário de tua paixão.

sábado, 14 de junho de 2008

Dia dos Namorados: quem vai comprar o pão?

Ao ver esse título eu particularmente acho que é sobre dois namorados discutindo quem é que vai comprar o pão nessa data tão especial. Talvez não seja. Afinal, as pessoas sempre querem sair para jantar, fazer alguma coisa diferente, valorizar esse dia.
Particularmente, eu estava muito preocupado com a prova que teria no dia seguinte e esperando mamãe chegar em casa com uma sacola de pão para matar minha fome. Depois eu pensei ela sairia com o marido e não traria pão. Em suma: quem foi comprar pão foi eu.
Realmente, quis fazer um post sobre essa data comemorativa. Não tenho muito falar. A não ser que achei muito interessante vários namorados adiando o dia na sua agenda.
Bom, pra mim era um dia normal, também para eles. Mas o fato do adiamento do dia dos namorados é um fato bastante interessante. Parece tipo um compromisso sei lá. Era pra ser?
Quero concluir com essa frase de um desconhecido filósofo pessimista que se considerava realista:

"Abdiquei dos prazeres da vida em troca de não tê-los." (Ogait)


.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Remoinho

Um espiral de fumaça
vibra (por) sua existência passageira
Ciente de não possuir outro momento
senão este.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

A Falta de Leis Islâmicas Favorece o Homossexualismo no Brasil

"A falta de leis islâmicas favorece o homossexualismo no Brasil". Acho que foi ano passado que alguém no PF (prato feito) - com quem eu dividia a mesa - comentou isso. Óbiviamente um comentário preconceituoso. Mas se alguém tem direito de ser homossexual, outro alguém tem o direito de ser homofóbico, mas esse não é o ponto em questão. Vamos por em palta o homossexualismo nessa cultura tão severa.

As leis islâmicas tem muito cuidado em relação ao sexo. Por exemplo, é proibido um homem ficar a sós com uma mulher que não seja da sua família. Logo, se você quer namorar uma garota... terá que casar com ela.
Porém pode ficar a sós com homens. Afinal são do mesmo sexo. Porém o homossexualismo existe e está em evidência nas discussões conteporâneas. Quer dizer que se é proibido ficar a sós com mulheres, mas é permitido ficar a sós com homens, incentiva-se os homens a ficar a sós. E dá liberdade para os homossexuais pôr em prática a sua sexualidade, enquanto inibe os heterossexuais.
Dizem que no Irã os homossexuais recebem pena de morte. Mas na Arábia Saudita não. E uma lei tão rigida - amolecida nesse ponto - acaba por incentivar o homossexualismo. Gerando uma contradição na sua rígida política sexual.

Não conheço quase nada da cultura do Islã, mas no fim das contas acaba sendo tão liberal quanto o ocidente nesse ponto que ainda é polêmico no nosso american way of life.

sábado, 24 de maio de 2008

Frase de Kombi

Essa frase eu li num vidro traseiro de uma Kombi:

Falar de mim é fácil difícil é ser eu!!!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Nota sobre "O Fim do Mundo e a Morena"

No dia 4 de abril de 2008 eu publiquei aqui no blog o post "O Fim do Mundo e a Morena". O post foi baseado numa notícia do jornal Estadão, do dia 31 de março. Pois bem, alertei para todos sobre a gravidade da situação da possibilidade de o mundo se acabar antes mesmos de se esgotar nosso prazo de validade.
Para ratificar a importância desse fato, venho mostrar-lhe que essa notícia sendo comentada, ainda que na surdina. Um desses avisos apocalípticos foi registado na Revista Veja de 9 de abril. E por último, mas não menos importante, foi comentado no episódio número 15 dessa primeira temporada da séria The Big Bang Theory.

E acho que finalmente chegou a hora do Renato Russo. Nunca esse versos fizeram tanto sentido: "É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã. Porque, se você parar pra pensar, na verdade, não há."

Pessoal, já tá na hora de começar a festa de despedida.
A gente se vê 'amanhã', ou não.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Mal-Estar Tecnológico

Quando as máquinas souberem o que estou pensando

se tornará incoveniente o contato com outro ser humano



Pois o que é tão trabalhoso

será ainda menos vantajoso

pela Utilidadade que terá



E se era tão deprimente

procurar um semelhante

para ser compreendido



Venderão,

a preços populares

a melhor esposa e o melhor amigo



Não padecerei da dúvida

de saber o que eu gosto,

com a sublime facilidade

de ter pai e mãe a postos



Nunca sentirei a alegria de ser conhecido pela minha companheira

sabendo que ela jamais me compreenderá como minha cafeteira.



Tiago Buarque

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Terapia da Fome

Recife, 28 de abril de 2008.

Estávamos conversando no carro, voltando do CinePE. Eu tinha acabado de explicar qualquer sem muita importância, afinal. Então o Colega tornou a reclar: Mas isso não resolve o fato de que estou com fome.
Não é possível tratar a fome com o mesmerismo - mesmerismo é uma palavra de escritor e estou imitando, como faz todo jovem que quer aprender a tocar um instrumento. Não existe uma terapia da fome. Hoje de manhã, estava fazendo prova oral de Inglês, professora perguntou: como se pergunta 'quantos anos você tem'? How old are you. Com qual verbo você pergunta? To be. Você disse 'she has nineteen'. Ah, she is nineteen. Perguntou com to be tem que responder com to be.
É isso, a fome do Colega é outro verbo. Não é como os problemas psicológicos, que ae tratam através da conversa. Porque, os problemas psicológicostêm origem em relacionamentos (diálogos) mas a fome do Colega tem outras razões.

domingo, 27 de abril de 2008

A Luta do Rochedo contra o Mar

Esse título sempre me chamou a atenção - apesar de estar bêbado em quase todas as vezes que ouvi. É um verso de uma samba, "(...)Acredito ser o mais valente Nessa luta do rochedo com o mar!!! É hoje o dia!!! Da alegria!!! E a tristeza...Nem pode, nem pode pensar em chegar!!! Diga espelho meu Se há na avenida alguém mais feliz que eu!".

Mas repare só, a luta do Rochedo contra o Mar. Quem está ganhando? Quem ganhará no final? O Rochedo é forte e se impõe e nada o tira do lugar, mas ele já usou toda sua força. O Rochedo está vencendo e em cada instante parece indestrutível. Mas o mar consumirá todo o rochedo. Já está consumindo, mas tão lentamente que não se percebe nem passados alguns anos. O mar está sempre perdendo, mas vencerá. Eis um paradoxo.

E o isso importa para nós, humanos? Dentre todas as formas de vidas que conhecemos nós somos a única com imaginação. E sabemos que podemos destruir qualquer Rochedo através da perseverança.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Mudando, ou não.



Resumo. Este texto vai tentar falar do fenômeno extraordinário de o ser humano querer mudar. Não falo das pessoas conscientes. Falo como as pessoas conscientes chegaram a tal ponto. Como o ser humano vence o medo de mudar? Como é que, inconscientemente, o desejo de mudar é mais forte que o medo? Qual o nome desse desejo?

Uma vez que você já leu o resumo não precisa ficar dizendo: "Porra, que texto grande! Nhen Nhen Nhen ...". Se você acha que tem mais letras escritas do que você consegue ler sem alterar seu pensamento estreito e pragmático. Se você não quer discutir, consigo mesmo, sua própria vida. Bom, se você tem receio ou acha um saco. Tudo isso é até normal. Ruim, mas natural. Bom, eu leria este texto, porque ele fala exatamente por que você diz isso.

A gente normalmente não suporta o mesmismo. Quer dizer, se for a mesma coisa sempre e não trouxer nenhuma alegria, é ruim. "Tava cansado de comer todo dia aquele feijão sem sal, aí vim aqui atrás de uma coisa diferente." "Não importa nem o que seja, sendo difrente tá bom."

Do mesmo modo ninguém quer sair de uma posição confortável. "Eu queria até tomar água, mas, se levantar do sofá, ela deita no meu lugar." "Eles estão colocando substâncias altamente nocivas nos cigarros, mas se eu denunciar esse fato os culpados vão negar tudo, me tirar todo o dinheiro, acabar com minha família, podem até tirar minha vida e, de todo modo, vão ficar impunes." E também tem aqueles versos da poesia Elegia 1938 do Drumond: "Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição/porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan."

Deixa eu ver se consigo, através do excesso de tentativas, fazer vocês entenderem o que eu penso. Os seres humanos - o mesmo que "nós" - tendem a procurar uma situação mais cômoda e permanecer nela. Nós procuramos um local pra nos recostarmos e passar ali o maior tempo possível. O maior tempo possível pode ser inclusive a própria eternidade, porque ninguém acha que vai morrer um dia. Vou repetir até pelo menos eu entender. Eu me viro na cama até achar uma posição boa pra dormir. Me remexo na cadeira do cinema até ficar confortável. Eu tinha problemas sérios - e quem não tem? - em acertar a quantidade de achocolatado para um copo de leite.
O problema é que ninguém agüenta, durante muito tempo, situações incômodas. O cômodo é o que permanece. E o incômodo é o que muda. Vamos assumir que, em uma situação qualquer, existem pontos cômodos e incômodos. Se você valoriza mais os pontos cômodos, vai resistir à mudança, pois tem medo de perder o que tem. Contudo, se o incômodo for maior, a situação se torna inaceitável. Daí você muda ou absorve isso. Absorvendo, adquire alguma doença mental ou outro problema qualquer.
Usemos como exemplo uma relação humana muito importante: o namoro. Se um namoro vai bem - é divertido, enriquecedor etc. - tem tudo pra continuar, pois as vantagens, as comodidades, são mais importantes do que os incovenientes. Porém chega um ponto em que o namoro tem incômodos mais importantes do que os benefícios. Você tem sempre uma pessoa com quem sair, alguém pra transar no fim-de-semana, mas você não se importa com essa pessoa, não se importa com as coisas que vocês dividem, e/ou brigam muito e perturbam suas Paz(es), ou nada de novo acontece etc. Talvez seja uma boa hora para refletir se vale a pena ficar junto. Porque, se não vale a pena, tudo pode ficar mais desagradável. Mantendo uma situação sem perspectiva com medo de perder aquelas comidades. Quando a situação se torna insuportável, agimos irresponsavelmente na ânsia de eliminar o mais rápido possível esse incômodo. Daí surge um problema: um namoro mal acabado.
Um dos principais motivos do medo de mudar é a dúvida de como será o futuro. "O que eu vou fazer se eu mudar e perder essas coisas que são certas e com as quais aprendi a viver? Tudo o que faço é baseado nessas coisas. É mais fácil conviver com esse problema do que começar uma coisa toda nova que pode não dar certo também." É até um tanto de preguiça. Vou contestar esse constestador: "Do mesmo modo que você aprendeu a viver com essas coisas, pode aprender a viver com as outras. Do mesmo modo que aprendeu a viver com essa pessoa, vai aprender a viver com outra. É até uma coisa que dá alegria: construir. E vai ter muito a construir. Na verdade, pensamos mais na obra feita do que na construção. Mas a ação de construir dá mais prazer do que a edificação já posta. Você vai experimentar novas coisas. Vai poder fazer tudo o que você já faz e já gosta de uma outra maneira, vai descobrir muito mais coisas - coisas das quais você goste ainda mais. E se o prazer é fazer aquilo que já está acostumado: você vai se acostumar com tudo depois. Você não vai precisar conviver com o(s) antigo problema(s). E quanto a dar certo: isso depende de quem?"
- Já disseram no comercial da Ford: "O novo é belo."
Boa sorte e coragem para todos nós!

Elegia 1938

Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.

Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.

Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.

Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.

Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.

(Poesia de Carlos Drumond de Andrade do livro Sentimento do Mundo) Copiado desse link.

Leite Achocolatado

Estava escrevendo outro post e achei que era necessário registar isso aqui:

Para fazer um copo de leite achocolatado a quantidade adequada de chocolate em pó é uma colher de sopa rasa e mais a mesma quantidade de açúcar.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Frase 1

No fim do caminho, espero encontrar a origem.

Tiago Buarque

quarta-feira, 9 de abril de 2008

O Cérebro nosso de cada dia

Pois, enfim, meus amigos, e demais interessados - talvez amigos por afinidade de conteúdo, ou não. É chegada a hora de escrever mais um post, como uma rua toda de postes em paralelo, postes ligados por fios de alta tensão, ou não.
De fato uma coisa é certa, esses posts são todos de uma mesma origem: do nada. Podia-se até dizer que são meus, mas isso não é uma origem muito específica, como já deve ter ficado claro. Uma vez que acredito que o cérebro é, acima de tudo, uma máquina de gerar novas informações, uma máquina criativa. Quero que fique bem claro esse meu raciocínio: o cérebro funciona baseado num esquema de entrada e saída de informações. Onde as entradas são de duas origens bem distintas: interiores e exteriores. As saídas também podem ser divididas nesses dois tipos, interiores e exteriores.
Primeiro vamos ver o que são e como funcionam essas entradas e essas saídas. Depois veremos que o cérebro gera informações novas o tempo todo. Por final saberemos porque filtramos essas informações. Depois, como sempre, tentaremos mudar de assunto para manter o desvio de tema habitual.
As entradas exteriores são aquelas provenientes do mundo externo, isto é, do sinais recebido através dos sentidos - tato, paladar, olfato, visão e audição - e as informações processadas pelos sentidos, melhor dizendo, a interpretação desses sentidos e o mapeiamento entre os sentidos e o modelo mental do mundo que cada um tem. As entradas interiores são aquelas provenientes do cérebro mesmo, da memória armazenada desde o ventre materno: são os traumas, os medos, os sentimentos mais animais, as lembranças de cheiros e imagens, as coisas guardadas. Percebe-se que as entradas exteriores, por serem mapeadas no modelo do mundo, não são puramente exteriores, são uma interpretação do mundo exterior baseada nas coisas que já conhecemos.
Agora as saídas. As saídas interiores são pensamentos, indéias, sesassões, coisas dentro do cérebro. Já as saídas exteriores são ações do seu corpo baseadas no funcionemento do seu cérebro. As ações exteriores não estão restritas apenas a virar o olhos, fechar as palbebras, falar etc. mas englobam também doenças psicosomáticas, tais como a gastrite nervosa ocasionada pela produção excessiva se suco gastrico, produção devida à liberações desreguladas de hormônios quando o cérebro está desequilibrado, está nervoso nesse caso.
Bom, como o cérebro funciona, heim? O cérebro simplismente recebe entradas, mistura tudo, e gera saídas. Mas gera saídas o tempo todo. E gera saídas em cada uma das suas partes. O cérebro é composto por inúmeras partes que, apesar de se comunicarem, são responsáveis por saídas específicas. A ciência atual ainda discute muito sobre o cérebro e tenta definir bem suas partes, para não acabar com o trabalho dos nossos neurocientitas, vou me restringir a apenas duas parte do cérebro - na verdade dois grupos de partes: o autônomo e o crítico.
Como já disse, e quero que fique claro: o cérebro gera saídas o tempo todo. E é fácil perceber que recebe entradas o tempo todo também. Uma vez que gera as saídas baseadas nas entradas que recebe, e que gera saídas o tempo todo, faz-se necessário receber entradas o tempo todo para poder gerar essas saídas. E também é bom enfatizar que a maioria dessas entradas são, provavelmente, internas. E entradas internas são saídas de outras partes. Então, gera-se saídas o tempo todo e a maioria absoluta dessas saídas são entradas para de outras partes. Se você não entendeu esse paragrafo apenas se lembre que o cérebro gera saídas o tempo todo.
Vamos analisar agora as duas partes mais importantes do cérebro: o autônomo e o crítico. O autônomo é quem faz as coisas de verdade, é quem tem as idéias, é quem faz as saídas externas e internas, é quem faz surgir todos os pensamento em nossas cabeças, é quem tem os sonhos, é quem fica com raiva, tudo, tudo mesmo, é o autônomo. E basta o autônomo estar funcionando para que vivamos nossas vidas normalmente - é o que a maioria das pessoas faz. Mas o critíco é quem realmente faz a diferença. O crítico é cosciente. O crítico não faz nada a mais além de bloquear o autônomo. Opa! Não bloquear por medo, porque o medo pertence ao autônomo. No caso bloquear não é a palavra adequada, o mais correto seria: alterar o rumo.
O crítico altera o rumo. Por quê? Bom, espero que se lembre que o cérebro gera saídas o tempo todo. O cérebro fica funcionando sem parar, mas nem todos percebem isso porque o crítico cotrola isso. O crítico filtra, só deixa passar algumas coisas. Claro que isso também se deve ao evolucionismo. Uma vez que o autônomo gera muitas informações o tempo todo, e várias informações ao mesmo tempo e informações difícieis de mapear na vida real - como aquelas que vemos nos sonhos - não é útil à vida quotidiana.
Então o crítico é o bom senso, o senso comum etc. Mas o crítico também é "você", se você quiser. Como assim? Ora, o crítico permite uma reflexão sobre as coisas que ele conhece. Permitindo essa reflexão, se torna possível entender alguns pontos do seu funcionamento autônomo. Entendendo-se, é permitido julgar-se e modificar-se. Quer dizer que a partir do momento no qual uma pessoa começa a refletir sobre si própria, sobre as ações que deixou o autônomo excecutar, essa pessoa pode começar a escolher com consciência e clareza se quer continuar agindo daquele jeito ou tomar um rumo mais racional, mais próprio, baseado nas verdades que essa pessoa conhece. É isso que Nietzche quer dizer com "Torna-te quem és". E é isso que chamam de "Livre-Arbítrio", com isso quero dizer que uma escolha só é realizada quando se pensa sobre ela, sobre suas alternativas e decide por uma delas, livre de medo etc. (Fica claro, aqui, que não existe democracia no Brasil, uma vez que a maioria esmagadora dos eleitrores não escolhem os governante, pois não pensam.)
Nós, como seres pesantes, podemos pensar sobre qualquer coisa. Nós podemos pensar sobre nós mesmos. E pensando sober nós, podemos escolher quem somos, quem queremos ser. As máquinas não podem se modificar porque não recebem como entrada informações sobre elas mesmas, mas nós recebemos, nós somos conscientes.
Quero citar agora um conversa, que tive com Digão, sobre criatividade. É possível modificar o crítico inclusive no aspecto da filtragem de informação que ele faz. Se nos dedicarmos a considerar outras hipóteses como plausíveis o crítico vai deixando passar mais saídas do autônomo. Ou seja, é possível ser mais criativo apenas aceitando algumas idéias que você costuma rejeitar. Por que não aceitar todas? Só não tem idéias imbécis quem tem pouquíssimas idéias, ou nenhuma. Se você considerar uma idéia a priori, outras idéias vão passar pelo crivo do crítico e você pode analisá-las e trabalha-las com calma depois. Fazendo isso aumenta a chance de achar boas idéias. Do mesmo modo podemos considerar, além das idéias, as pessoas. Quanto menos preconceito podemos conhecer as pessoas melhor e decidir se são boas ou más para nossas vidas...
Embora tenha fugido ao tema menos do que queria, acho que esse post já está longo demais. Abraços a todos e até sexta-feira que vem.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

O Fim do Mundo e a Morena

Hoje, conversando com um amigo no ônibus, ele veio me contar das duas vezes em que deu um "cavalo-de-pau*":

A primeira vez eu era muito novo, o carro começou a girar e escorregar pela pista molhada, os pneus estavam quase carecas o carro foi parar a dois palmos do muro de uma escola.
A segunda vez tava um pessoal dentro do carro, o meu primo e uma amiga dele muito gostosa. Fui dar o cavalo-de-pau só pra me amostrar. Eu achei que só funcionava com o carro acima de 80, quando chegou em 50 eu freei e puxei a direção só um pouquinho. O carro deu meia-volta completa e ficou com a frente virada pra onde antes eram as costas. Fiquei assustado demais. Não queria ter feito isso.


"Não queria ter feito isso." Era onde eu queria chegar. Gravaram bem? "Não queria ter feito isso." É uma frase comum após experiências mal sucedidas, principalmente quando seus experimentos acabam machucando outros que não estão envolvidos na brincadeira. Bom, essa frase do meu amigo - "Não queria ter feito isso." - me tocou um pouco quando a imaginei vinda da boca de algum cientista, em particular dos cientistas que estão tentando replicar o Big Bang.

- O quê?

Bom, é mais ou menos isso, essa tarde li uma notícia no Estadão que dizia que cientistas do Havaí estavam contestando essa experiência. Por quê? Porque acharam que um choque de prótons - que é o q vão fazer - poderia gerar um buraco negro. Um buraco a mais, um buraco a menos, o que importa? Acontece que um buraco negro simplismente suga tudo a sua volta, por exemplo alguma estrela que estiver por perto. O que aconteceria com um buraco negro na Terra? Em pouco instantes ela seria engolida.
Agora imagine, daqui a alguns meses, nós ocupados em nossos ofícios pouco prazerosos, pensando em como pagar a conta de energia e na cerveja próxima sexta-feira, pensando em morenas fantásticas que talvez nunca conheçamos e nos confortando que temos a vida toda pela frente e acabaremos nos conformando com tudo. Bom, estamos nós curtindo o nosso livre prazer de existir quando um cara está tentando dizer "Não queria ter feito isso." e sendo engolido por uma coisa que só alguns físicos no mundo sabem o que é direito e segundos depois nós sumimos sem aquele tradicional desespero de fim de mundo - onde era a nossa única chance e nossa única esperança de possuir aquela morena ao lado.
O triste não é nem o fim do mundo em si, porque o fim do mundo e a morte são coisas previstas e portanto programadas. O triste, o que me deixou abalado mesmo, é saber que não vai ter tempo da morena se desesperar e não vai pintar minha chance. E que essa experiência deve ser feita daqui a dois ou três meses, isso é, tá tão perto que nem dá tempo de eu bolar uma estratégia pra convencer tal morena, que o mundo vai se acabar e que não faz o mínimo sentido ela continuar a me ignorar. E que se, no desespero do fim do mundo, ela tivesse uns trinta segundos pra pensar no que poderia ter feito, com certeza eu estaria por meio segundo nos pensamentos dela. Fazendo a proporção, se ela tivesse 30 segundos, 0,5 segundos são completamente meus, assumindo que temos 2 ou 3 meses o equivalente seria 24 ou 36 horas pra mim, isto é, um fim-de-semana. Mas a morena não sabe, não sabe que o mundo vai se acabar, não sabe do meus desespero, provavelmente já esqueceu a regra de três e não conhece a gravidade do problema do desaparecimento da terra, pois não leu o Guia dos Mochileiros das Galáxias...

*cavalo-de-pau, pra quem não sabe, é uma manobra automobilística de certo risco, onde o piloto do veículo inicia a manobra com o carro a certa velocidade, encaminhando o carro em linha reta, depois puxa o freio-de-mão e vira a direção do automóvel para um dos lados.

domingo, 30 de março de 2008

Festa do Sombarato

Pra quem não conhece http://sombarato.blogspot.com/ é o melhor repositório de música nacional que eu conheço e já no ar faz mais de ano. Então a festa de um ano, um pouco atrasada vai ser agora em abril, dia cinco, no Quintal do Lima, Rua do Lima.

"Perfeição não é a melhor estratégia."

Esse aqui eu dedico a Marcos Aurélio (maas).

Bom na verdade vou tentar dizer o que ele me disse. Foi mais ou menos o seguinte: "Perfeição não é a melhor estratégia." E se queixou de passar muito tempo procurando soluções perfeitas e desse modo não resolver nada na prática. E começou a ver que soluções simples resolvem um problema.
Mas é isso mesmo. Que adianta uma solução perfeita se ela é cara demais. E uma mulher perfeita, se inacessível. Existe uma janela de tempo, isto é, um limite de espera. Existem outras limitações além do tempo, tais como dinheiro, paciência, falta de espaço, força fisica etc. Imagine, por exemplo, que virou um caminhão de chocolate, não dá pra levar tudo porque cada um tem um limite e pode levar o máximo. E aí é que tá? O perfeito é você trazer um caminhão com carregadores e pegar todo o chocolate, mas você nunca vai fazer isso, simplismente não vai. Mas daí vai lá, pega, sei lá, umas dez barras e vai ficar muito satisfeito. Porque resolveu o problema que tinha pra resolver dentro dos limites estamelecidos. É como se fossem a regra de um jogo. Simplismente nossa liberdade é limitada. Não dá pra fazer tudo o que queremos e a solução perfeita mesmo é aquela que funciona.
A gente tem mesmo é que resovler os problemas, nosso problemas pessoais, de casa, dos lugares que a gente freqüênta, do mundo, talvez, ou não -hehehhe. Resolver da melhor maneira possível (POSSÍVEL). Nunca, jamais ser mediocre, mas perfeccionismo demais acaba fazendo com que as coisas se tornem inúteis, quer dizer, elas deixam de acontecer.
Bom, melhor fazer de verdade, ainda que não seja lá essas coisas, do que saber fazer muito bem e não fazer nada.
Espero que não tenha ficado muito abstrato. Ainda que tenha ficado até um pouco difícil de entender, fiz esse post consciente de que foi o melhor possível.

Sapatos Apertados

Não sei se já falei disso antes aqui no blog, mas se ligue, de toda a forma, merece um post só pra isso. A alegria é uma conseqüência de coisas como sapatos apertados. Quem já não conhece essa história:
- Adoro usar sapatos apertados!
- Como assim? O quê?
- Adoro usar sapatos apertados. Eles incomodam e doem um pouco enquanto estou usando, mas quando chego em casa, no final do dia... É nessa hora que eu esperava tanto que sinto a recompensa: que prazer tiraro sapato.

É, "o melhor tempero é a fome". També tem um pagodão desses chatos que diz: "É preciso perder pra aprender a valorizar". Ditos populares. Mas de cunho humano básico. A gente se sente mais feliz quando as coisas melhoram. Se for tudo bom sempre, não tem graça. Os problemas, os desafios tem suas utilidades. Eles motivam, fazem-nos chegar mais perto dos nosso limites. Assim, bom, são bons também. Não tem outra forma de concluir um trabalho difícil se não fizer e a satisfação é proporcional à dificuldade.
Mas é preciso também conhecer nossos limites. Não se pode exigir de mais, se matar, por exemplo. E nunca, nunca mesmo, se esquecer onde quer chegar. Se a gente sabe aonde vai sabe tomas a decisões certas e sabe continuar mesmo com os pés inchados e os sapatos apertados.

Bom, é muito bom tirar os sapatos apertados com certeza de estamos em casa.

Tiago Buarque


Foto da rua atrás do CAC (Centro de Arte e Comunicação) a rua do bar Cavanhaque e do bar Bigode - sugestivo não? Acontece que tava muito cheio esse dia, os jovens estavam tomando a rua em nome de ideais como álcool e sexo.
É uma rua muito larga e e comprida, tem muitos postes e postes muito altos.
(foto de Bruno Correia "Bahiano")


Foto do Galpão do Mestrado do CIn - um lugar cheio de postes.
(foto de Rômulo Bruno)

sábado, 29 de março de 2008

lluvia - Por Juan Gelman

chuva

hoje chove muito, muito,
e parece que estão lavando o mundo.
meu vizinho do lado contempla a chuva
e pensa em escrever uma carta de amor/
uma carta à mulher que vive com ele
e cozinha para ele e lava a roupa para ele e faz amor com ele/
e parece sua sombra/
meu vizinho nunca diz palavras de amor à mulher/
entra em casa pela janela e não pela porta/
por uma porta se entra em muitos lugares/
no trabalho, no quartel, no cárcere,
em todos os edifícios do mundo/
mas não no mundo/
nem numa mulher/nem na alma/
quer dizer/nessa caixa ou nave ou chuva que chamamos assim/
como hoje/que chove muito/
e me custa escrever a palavra amor/
porque o amor é uma coisa e a palavra amor é outra coisa/
e somente a alma sabe onde os dois se encontram/
e quando/e como/
mas o que pode a alma explicar?/
por isso meu vizinho tem tormentas na boca/
palavras que naufragam/
palavras que não sabem que há sol porque nascem e morrem na mesma noite em que amou/
e deixam cartas no pensamento que ele nunca escreverá/
como o silêncio que há entre duas rosas/
ou como eu/que escrevo palavras para voltar
ao meu vizinho que contempla a chuva/
à chuva/
ao meu coração desterrado/


lluvia

hoy llueve mucho, mucho,
y pareciera que están lavando el mundo.
mi vecino de al lado mira la lluvia
y piensa escribir una carta de amor/
una carta a la mujer que vive con él
y le cocina y le lava la ropa y hace el amor con él
y se parece a su sombra/
mi vecino nunca le dice palabras de amor a la mujer/
entra a la casa por la ventana y no por la puerta/
por una puerta se entra a muchos sitios/
al trabajo, al cuartel, a la cárcel,
a todos los edificios del mundo/
pero no al mundo/
ni a una mujer/ni al alma/
es decir/a ese cajón o nave o lluvia que llamamos así/
como hoy/que llueve mucho/
y me cuesta escribir la palabra amor/
porque el amor es una cosa y la palabra amor es otra cosa/
y sólo el alma sabe dónde las dos se encuentran/
y cuándo/y cómo/
pero el alma qué puede explicar/
por eso mi vecino tiene tormentas en la boca/
palabras que naufragan/
palabras que no saben que hay sol porque nacen y mueren la misma noche en que amó/
y dejan cartas en el pensamiento que él nunca escribirá/
como el silencio que hay entre dos rosas/
o como yo/que escribo palabras para volver
a mi vecino que mira la lluvia/
a la lluvia/
a mi corazón desterrado/



Do livro:
<< "Chuva" e outros poemas >> de Juan Gelman

O Sinal de Maior Que

Recife, 27 de março de 2008.


É o seguinte: agora a pouco propus a meu amigo Figueredo - "meu amigo Figueredo" é uma expressão que consta, no meu incociente e de algumas outras pessoas, com uma rima bem rica, ébria e obscena - ... pois bem, agora a pouco propus, a meu amigo Figueredo, escrevermos um texto em conjunto. Por quê?

Ora, enquanto cientista justificativas são elementos centrais no meu trabalho, mas fora disso, principalmente quando estou escrevendo, justificativas são completamente desprezáveis e algumas vezes até desprezíveis. Que ser humano, no mais íntimo do seu ser, precisa de justificativas? Mas eu quero dar uma justificativa pelo simples motivo - olha aí mais uma justificativa, uma meta justificativa talvez - ... eu quero dar uma justificativa porque: eu quero - eis o motivo mais importante de todos os motivos e justificativa adequada para quase tudo. Outro motivo pelo qual quero dizer por que quero escrever esse texto junto com o Figueredo é que tem a ver com o meu problema de responder emails grandes. O problema que apareceu quando eu estava escrevendo pro Sid Clapis no dia 24 passado. - Dia 24 hein? heheheheh - . Pois é, o Figa (diminuto de Figueredo - e o Figueredo já é pequeno e ainda tem diminutivo. Curioso fato) ... o Figa leu o post - "Email ao Sid Clapis - 24 de março de 2008" - e disse que:

" [...] e aquela sua indagação sobre o email ficar ao lado enquanto vc escreve
tem uma solução
mt utilizada inclusive
vc vai respondendo no meio do texto [...]"

E complementou:

"[...] quando vc for responder um email, o emai lpara o qual tá respondendo já vem na mensagem com um ">" precedendo cada linha
aí vc escreve no meio disso
e vai comentando/respondendo cada parte [...]"



Quer dizer: era tão óbvio assim?


hun?


Sinceramente, apesar de ter colado grau semana passada, ser um reconhecido Bacharel em Ciências da Computação, num centro de excelência - eles dizem, eu repito. Até mesmo porque eu só tenho a ganhar com isso. - ... pois é, nesse centro de excelência eu continuo alheio às novidades mais úteis da tecnologia. Nessas horas é que eu me pergunto: como vou poder ajudar alguém com o que eu aprendi? Como vou enriquecer a sociedade? - percebam que omiti propositalmente a pergunta: o que realmente eu aprendi? - Deixemos um pouco de lado esses questionamentos voltemos às banalidades: quer dizer que esses sinaizinhos chatos, assim ">", eram pra isso? Eles estavam ali o tempo todo com a solução pra um problema que eu ainda iria ter, mas enquanto eu não descobria a solução eles eram um grande problema pra mim. E eis uma grande revelação: o que mais na vida, na vida prática, no dia-a-dia etc. ... o que mais nessa bendita vida é uma grande solução que só tem sido problema até agora?


Tiago Buarque

quinta-feira, 27 de março de 2008

a água voltando para o mar

a água voltando para o mar

e no meio do caminho

se escondendo no cantinho

como quem não quer voltar

e o vento com carinho

enxugando de mansinho

o corpo que não quer secar

o Sol, o sal, a areia

têm um cheiro só

e a morena de dar dó

fungou no meu cangote

ai meu Deus, como eu tenho sorte!


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Essa poesia fiz com o Figa. O Fernando Valeriano, o Sid Clapis, o Japonês e a Natália também estavam lá, talvez mais alguém que não me lembro. A gente tava atrás do Burburinho, tomando cerveja, ouvindo a banda. Também tentamos, eu e o Japonês, paquerar a namorada do baterista através da grade - isso antes de descobrirmos que era namorada dele, esse fato justificou a atenção q ela prestava na bateria mesmo na hora dos solos de guitarra, onde pelo menos o guitarrista delirava. Bom, uma dada hora, foi saindo um verso e outro e escrevemos no verso da comanda da Taqueria, onde estávamos tomando tequila antes - várias tequilas, muitas mesmo.

- Pensando bem, "[...] foi saindo um verso e outro e escrevemos no verso da comanda [...]" diz alguma coisa a mais, tipo: escrever o verso no verso. Fico pensando: de onde surgiu a palavra verso? Será que não era uma idéia repentina e por ser assim tão rápida era também passageira e era preciso anota-la logo em algum lugar? Num verso de alguma coisa mais próxima? Pois bem, se era assim, fizemos versos num estilo bem tradicionais.

Isso foi 12 de janeiro de 2007. Era a época em que eu ia com freqüência à praia e já havia me embreagado na praia pela manhã com cerveja, me recuperado a tarde e ainda tive essa noite maravilhosa. Felizmente não bebo mais como naquela época. :D Por sinal nessa mesma noite me pendurei nalgum carro cheio de gente onde estavam indo embora a meninas que dividiam a casa com o Sid, incluindo aquela q passou pouco tempo e que falava com a Lua.

Tiago Buarque

quarta-feira, 26 de março de 2008

Email ao Sid Clapis - 24 de março de 2008

(o reply do gmail, a cultura e a transmissão da técnica, a lingua, os índios Tupy, a comunicação e arte)

[...] Estou muito curioso para saber dessas suas novas idéias...
acho q o gmail devia ter um recurso de resposta de email longo que associasse a mensagem recebida com a resposta. Assim eu poderia escrever numa janela ao lado ao invés de embaixo e vc poderia saber exatamente a que estou me referindo. E, principalmente, eu me lembraria das inúmeras perguntas que foram surgindo durante a leitura. Bom, talvez haja algo enriquecedor nesse jeito arcáico. Os Jeito tradicionais de se fazer as coisas sempre têm um ensinamento utilíssimo que se aplica a numerosas outras coisas na vida. Por exemplo: se eu lesse emails grandes com freqüência provavelmente teria uma memória melhor para saber o q comentar depois. Bem, já quem eu não leio... tenho uma capacidade imensa de evasão do assunto. De modo que fiz uma bela introução para um outro assunto: existe um ensinamento muito grande em todas a pequenas coisas de uma cultura. O modo de se fazer uma dada tarefa, principalmente as mais simples, é completamente atrelado a todos os outros aspectos da vida cotidiana ( da vida cotidiana da época em que aquilo começou a ser feito). É claro que as coisas mudam com o tempo, conforme a necessida. A necessidade faz surgir a maioria das coisas e a maioria das mudanças. Porém, se uma coisa está funcionando bem do jeito q está, nunca vai mudar. O elemento mais representativo de uma cultura - e por conseguinte do modo de se fazer as coisas acumulado - é a Lingua. Por esse mesmo motivo supra citado (não sei se escreve-se assim mesmo ou é junto, essa palavra me veio a mente agora e quer dizer, muito provavelmente vc sabe: citado acima). "Supra citado" é um exemplo de expressão que cai em desuso, talvez, exceto no ramo jurídico. Uma expressão, uma técnica, um traço cultural qualquer desaparece quando deixa de ser útil, cotidano e prático. Mas continuando a frase acima: "Por esse mesmo motivo supra citado"... os índios Tupy (índios caramujos que atulmente estão no RJ mas que vivem rondando com a tribo toda pelo Brasil e terras adjacentes). "Por esse mesmo motivo supra citado os índios Tupy " ... (agora vai) têm a Língua com uma dimensão do ser humano. Tal como outras crenças têm alma e espírito cada ser Tupy tem uma Lingua, a saber o Tupy. E foi essa visão deles que me deu esse ponto de vista: a Lingua guarda toda a história da civilização que a utilizou. Não só uma história morta, mas principalmente uma história, prática (pragmática), de uso, de um povo que usou durante milênios o idioma como ferramenta para: comunicar-se com os colegas de trabalho, com os colegas de escola, comunicar-se com o pai, a mãe, os irmãos e demais familiares, comunicar-se com a namorada, comunicar-se com os amigos, comunicar-se com a prefeiruta, com os comerciantes, com os animais, com as autoridades e com os ébrios da rua. A ligua foi utilizada, maltratada e concerta em relação a Deus Sabe o Quê etc. De forma que em milênios, talvez milhões de anos (é o mais provável) sons e suas notações escritas transmitiram o sentimento do homem em relação ao mundo e às outras criaturas. Desde os zumbidos do primeiros homens que pareciam com macacos até os mais conteporâneos que parecem com frangos, passando por aqueles que se pareciam com bois, cavalos e outros bichos. A lingua ajudou o homem a viver, sobreviver, transmitir conhecimento e por conseguinte produzir mais conhecimento com base naquilo que já se conhecia e foi comunicado pelas gerações anteriores. (Leipzig(ou seja lá como se escreva) tem uma importância histórica absurda na escrita). Mas principalmente pessoas amaram, sofreram, choraram, contram suas dores de cotovelo e celebraram as alegrias com a sua ligua e por mais meloso que isso pareça isso é o traço mais marcante do ser humano e foi revelado pela cultura: "o ser humano é um ser social". Confesso que na quarta-série, 1994, eu tinha 9 anos e disse pra minha professora de catessismo, Irmã Helena, que entendi essa frase(que era o resumo da aula), mas eu não tinha entendido absolutamente nada e por isso eu lembro tão bem. Algum filósofo alemão, que não lebro o nome transmmitiu através desse idioma que vc está falando que ao "perceber-se diferente do resto da natureza, o homem se sentiu só". Ora, sentindo-se só, talvez por instindo de sobrevivência o homem vai ao encontro dos outros homens e principalmente vai ao encontro das mulheres. Mas como comunicar que ele se acha DIFERENTE, e talvez essa tenha sido a primeira palavra abstrata (a concreta pode ter sido algo com "haaaan" que na verdade era mais um bafo quente e queria significar fogo). De modo que o homem quer anular essa diferença em relação ao mundo a sua volta, quer comunicar-se ao outro e quer saber do outro e espera se encontrar lá(nele, nela, neles, nelas). Esse segundo motivo é o que eu chamo de arte e é por isso que eu escrevo. Alguns chamam de arte o primeiro motivo. São bem semelhante e muitas vezes acabam dando no mesmo. Na verdade eu escrevo pq não sei fazer música, até sei fazer letra, baseado em melodias que geralmente eu invento, mas não sei tocar e fica só a letra mesmo. E qual era o tópico inical desse parágrafo mesmo? Me esqueci das pergutas que iria fazer em relação ao seu email. [...]

Tiago Buarque