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sábado, 29 de março de 2008

O Sinal de Maior Que

Recife, 27 de março de 2008.


É o seguinte: agora a pouco propus a meu amigo Figueredo - "meu amigo Figueredo" é uma expressão que consta, no meu incociente e de algumas outras pessoas, com uma rima bem rica, ébria e obscena - ... pois bem, agora a pouco propus, a meu amigo Figueredo, escrevermos um texto em conjunto. Por quê?

Ora, enquanto cientista justificativas são elementos centrais no meu trabalho, mas fora disso, principalmente quando estou escrevendo, justificativas são completamente desprezáveis e algumas vezes até desprezíveis. Que ser humano, no mais íntimo do seu ser, precisa de justificativas? Mas eu quero dar uma justificativa pelo simples motivo - olha aí mais uma justificativa, uma meta justificativa talvez - ... eu quero dar uma justificativa porque: eu quero - eis o motivo mais importante de todos os motivos e justificativa adequada para quase tudo. Outro motivo pelo qual quero dizer por que quero escrever esse texto junto com o Figueredo é que tem a ver com o meu problema de responder emails grandes. O problema que apareceu quando eu estava escrevendo pro Sid Clapis no dia 24 passado. - Dia 24 hein? heheheheh - . Pois é, o Figa (diminuto de Figueredo - e o Figueredo já é pequeno e ainda tem diminutivo. Curioso fato) ... o Figa leu o post - "Email ao Sid Clapis - 24 de março de 2008" - e disse que:

" [...] e aquela sua indagação sobre o email ficar ao lado enquanto vc escreve
tem uma solução
mt utilizada inclusive
vc vai respondendo no meio do texto [...]"

E complementou:

"[...] quando vc for responder um email, o emai lpara o qual tá respondendo já vem na mensagem com um ">" precedendo cada linha
aí vc escreve no meio disso
e vai comentando/respondendo cada parte [...]"



Quer dizer: era tão óbvio assim?


hun?


Sinceramente, apesar de ter colado grau semana passada, ser um reconhecido Bacharel em Ciências da Computação, num centro de excelência - eles dizem, eu repito. Até mesmo porque eu só tenho a ganhar com isso. - ... pois é, nesse centro de excelência eu continuo alheio às novidades mais úteis da tecnologia. Nessas horas é que eu me pergunto: como vou poder ajudar alguém com o que eu aprendi? Como vou enriquecer a sociedade? - percebam que omiti propositalmente a pergunta: o que realmente eu aprendi? - Deixemos um pouco de lado esses questionamentos voltemos às banalidades: quer dizer que esses sinaizinhos chatos, assim ">", eram pra isso? Eles estavam ali o tempo todo com a solução pra um problema que eu ainda iria ter, mas enquanto eu não descobria a solução eles eram um grande problema pra mim. E eis uma grande revelação: o que mais na vida, na vida prática, no dia-a-dia etc. ... o que mais nessa bendita vida é uma grande solução que só tem sido problema até agora?


Tiago Buarque

quarta-feira, 26 de março de 2008

Email ao Sid Clapis - 24 de março de 2008

(o reply do gmail, a cultura e a transmissão da técnica, a lingua, os índios Tupy, a comunicação e arte)

[...] Estou muito curioso para saber dessas suas novas idéias...
acho q o gmail devia ter um recurso de resposta de email longo que associasse a mensagem recebida com a resposta. Assim eu poderia escrever numa janela ao lado ao invés de embaixo e vc poderia saber exatamente a que estou me referindo. E, principalmente, eu me lembraria das inúmeras perguntas que foram surgindo durante a leitura. Bom, talvez haja algo enriquecedor nesse jeito arcáico. Os Jeito tradicionais de se fazer as coisas sempre têm um ensinamento utilíssimo que se aplica a numerosas outras coisas na vida. Por exemplo: se eu lesse emails grandes com freqüência provavelmente teria uma memória melhor para saber o q comentar depois. Bem, já quem eu não leio... tenho uma capacidade imensa de evasão do assunto. De modo que fiz uma bela introução para um outro assunto: existe um ensinamento muito grande em todas a pequenas coisas de uma cultura. O modo de se fazer uma dada tarefa, principalmente as mais simples, é completamente atrelado a todos os outros aspectos da vida cotidiana ( da vida cotidiana da época em que aquilo começou a ser feito). É claro que as coisas mudam com o tempo, conforme a necessida. A necessidade faz surgir a maioria das coisas e a maioria das mudanças. Porém, se uma coisa está funcionando bem do jeito q está, nunca vai mudar. O elemento mais representativo de uma cultura - e por conseguinte do modo de se fazer as coisas acumulado - é a Lingua. Por esse mesmo motivo supra citado (não sei se escreve-se assim mesmo ou é junto, essa palavra me veio a mente agora e quer dizer, muito provavelmente vc sabe: citado acima). "Supra citado" é um exemplo de expressão que cai em desuso, talvez, exceto no ramo jurídico. Uma expressão, uma técnica, um traço cultural qualquer desaparece quando deixa de ser útil, cotidano e prático. Mas continuando a frase acima: "Por esse mesmo motivo supra citado"... os índios Tupy (índios caramujos que atulmente estão no RJ mas que vivem rondando com a tribo toda pelo Brasil e terras adjacentes). "Por esse mesmo motivo supra citado os índios Tupy " ... (agora vai) têm a Língua com uma dimensão do ser humano. Tal como outras crenças têm alma e espírito cada ser Tupy tem uma Lingua, a saber o Tupy. E foi essa visão deles que me deu esse ponto de vista: a Lingua guarda toda a história da civilização que a utilizou. Não só uma história morta, mas principalmente uma história, prática (pragmática), de uso, de um povo que usou durante milênios o idioma como ferramenta para: comunicar-se com os colegas de trabalho, com os colegas de escola, comunicar-se com o pai, a mãe, os irmãos e demais familiares, comunicar-se com a namorada, comunicar-se com os amigos, comunicar-se com a prefeiruta, com os comerciantes, com os animais, com as autoridades e com os ébrios da rua. A ligua foi utilizada, maltratada e concerta em relação a Deus Sabe o Quê etc. De forma que em milênios, talvez milhões de anos (é o mais provável) sons e suas notações escritas transmitiram o sentimento do homem em relação ao mundo e às outras criaturas. Desde os zumbidos do primeiros homens que pareciam com macacos até os mais conteporâneos que parecem com frangos, passando por aqueles que se pareciam com bois, cavalos e outros bichos. A lingua ajudou o homem a viver, sobreviver, transmitir conhecimento e por conseguinte produzir mais conhecimento com base naquilo que já se conhecia e foi comunicado pelas gerações anteriores. (Leipzig(ou seja lá como se escreva) tem uma importância histórica absurda na escrita). Mas principalmente pessoas amaram, sofreram, choraram, contram suas dores de cotovelo e celebraram as alegrias com a sua ligua e por mais meloso que isso pareça isso é o traço mais marcante do ser humano e foi revelado pela cultura: "o ser humano é um ser social". Confesso que na quarta-série, 1994, eu tinha 9 anos e disse pra minha professora de catessismo, Irmã Helena, que entendi essa frase(que era o resumo da aula), mas eu não tinha entendido absolutamente nada e por isso eu lembro tão bem. Algum filósofo alemão, que não lebro o nome transmmitiu através desse idioma que vc está falando que ao "perceber-se diferente do resto da natureza, o homem se sentiu só". Ora, sentindo-se só, talvez por instindo de sobrevivência o homem vai ao encontro dos outros homens e principalmente vai ao encontro das mulheres. Mas como comunicar que ele se acha DIFERENTE, e talvez essa tenha sido a primeira palavra abstrata (a concreta pode ter sido algo com "haaaan" que na verdade era mais um bafo quente e queria significar fogo). De modo que o homem quer anular essa diferença em relação ao mundo a sua volta, quer comunicar-se ao outro e quer saber do outro e espera se encontrar lá(nele, nela, neles, nelas). Esse segundo motivo é o que eu chamo de arte e é por isso que eu escrevo. Alguns chamam de arte o primeiro motivo. São bem semelhante e muitas vezes acabam dando no mesmo. Na verdade eu escrevo pq não sei fazer música, até sei fazer letra, baseado em melodias que geralmente eu invento, mas não sei tocar e fica só a letra mesmo. E qual era o tópico inical desse parágrafo mesmo? Me esqueci das pergutas que iria fazer em relação ao seu email. [...]

Tiago Buarque